designer
Stefanie Flörke
entrevista «olá
semanário» julho 1998



Stefanie
Flörke nasceu na Alemanha e passou os primeiros anos entre a Guatemala
e Portugal, com os pais e a família. Estudou na escola Alemã
do Estoril e terminou os estudos na Alemanha. Em 1997,
frequentou o curso de marketing e publicidade na CGK COMUNICATIONS em Düsseldorf.
Recebeu o diploma em 1990 do curso de design de moda no IADE, em Lisboa, e
na passagem de fim de curso, recebeu
o prémio "Marie Claire",
no grupo styling. Um ano depois, estagiou em alta
costura no atelier TOPELL COUTURE em Wiesbaden.
Fez o Curso
de joalharia no atelier
CONTACTO DIRECTO
em Lisboa, O curso de modelista de pronto a vestir na escola normal de corte
LUC e, finalmente, o curso de vitrinismo e exposição de montras.
Começou
cedo a fazer colares e pulseiras... Quando
eu era pequena a minha avó ofereceu-me uma caixa cheia de missangas
e eu gostei muito. Agora faço peças para as passagens de modelos
e para as lojas. O que encontrava à venda não tinha muito a
ver com a roupa que eu faço, e comecei a fazer para mim. Quando acabei
o curso de joalharia quis usar materiais diferentes.
Não os materiais
nobres como o ouro e a prata ou pedras preciosas. Usava pedras semipreciosas,
o acrílico com a prata, no fundo misturava. Eu gosto de experimentar.
Mais tarde, comecei a fazer a minha bijuteria. As minhas amigas gostaram muito,
acharam muita graça e pediram para fazer peças para elas. Com
essas amigas vieram mais amigas. As pessoas perguntavam onde é que
eu tinha as peças, se eu não queria vender em lojas. Em
que lojas é que se pode encontrar as suas peças? Procurei
algumas lojas boas em Lisboa que realmente gostaram logo muito. As pessoas
gostam e compram. Acham engraçadas. São diferentes, feitas à
mão. Não são como as que são feitas nas fábricas.
Estão em várias lojas. Em Lisboa, por exemplo, estão
na Casa Batalha, na Pedra Dura. São lojas diferentes, que já
têm coisas especiais. Faz
roupa para as suas clientes à sua imagem? Primeiro
vejo qual é o gosto da pessoa, o que é que lhe fica bem e depois
adapto isso ao meu estilo, um pouquinho. Não é o estilo da outra
pessoa, é uma mistura das duas coisas. O
equilíbrio... Exactamente,
o equilíbrio. Quando faço trabalhos para empresas, tenho que
apanhar o estilo.

Saber, no fundo, adaptar-me e desenhar roupas ao estilo da empresa. Não
é o meu estilo pessoal, mas tento sempre dar um toque meu. Tenho que
identificar a marca. Cada marca tem o seu estilo próprio. Tem que ser
muito mais comercial e um estilo que a maioria das pessoas goste. Os preços
são mais acessíveis. Quando faço roupa para as minhas clientes
os tecidos são os melhores, são especiais e dão mais para
festas, para casamentos, "cocktails". Também faço roupa
para o dia a dia, mas são peças com uma qualidade completamente
diferente do que faço para empresas. Como
é que define o seu estilo?
Eu gosto muito de pormenores. Gosto
de uma linha simples. Não muito, mas também um pouco prática.
Com alguns pormenores diferentes, como nas golas, nos punhos... com um toque
especial que talvez não se veja à primeira vista. Não gosto
que a roupa tenha logo um grande impacto. E
as cores? Para
mim, o preto. Mas também gosto de outras cores: o bege, o branco, os
azuis, água, turquesa, clarinho. Gosto de tons claros. Não gosto
de encarnado. Gosto de combinar tons em tons, como o azul com transparências.
Não faço contrastes fortes. Prefiro essas combinações
de cores.
Prefere
criar roupas para as suas clientes?
Também gosto de trabalhar
para as empresas. A cliente, normalmente, quer uma coisa especial. Não
vou dizer única, mas não quer uma roupa que toda a gente tenha.
Nas empresas, é mais o trabalho do conjunto. Tenho que fazer colecções
que dão para várias funções. Podem ser na mesma
linha, ou não. Também
já fez roupas para teatro?
Sim e gostei muito. A roupa para teatro
também pode ser criativa, desde que se tenha a disponibilidade de tempo
e de apoios. É engraçado porque dá para fazer muita pesquisa
e, depois, dá-se o toque final, pessoal. Não tem que ser cem por
cento fiel à realidade. Posso fazer experiências, o que na roupa
para clientes já não é tão possível. Para
as clientes, a roupa tem que cair bem, fazer a pessoa mais bonita, mais elegante.
No teatro, a roupa pode transmitir uma mensagem. No fundo é uma linguagem.
Quando começou a trabalhar
as coisas estavam fáceis? Agora
as coisas estão muito mais fáceis. Nessa altura, as pessoas ainda
não davam muita credibilidade aos "designers". Acho que a moda,
em Portugal, é um pouquinho complicada, mesmo hoje em dia. Quando acabei
o curso de "designer" , as empresas ainda não acreditavam neles.

Depois
de ter
feito o curso
de joalharia
no atelier
contacto
directo,
Stefanie
começou a
fazer
peças
para passagens
de modelos e
para as amigas.
Agora, podem
ser encontradas
em boas lojas
de Lisboa.
Era
difícil começar a trabalhar. Hoje em dia, algumas empresas já
perceberam que se não têm "designer", não se vão
desenvolver nem mudar de imagem. Porque em Portugal, existe muito a ideia da
cópia de roupas já feitas. Se vendem muito bem, vão logo,
a correr, fazer igual. No "design", em geral, o de interiores, por
exemplo, era tudo muito copiado do que se vê lá fora. Criar coisas
novas era visto como um luxo. Era gastar tempo e dinheiro. Davam poucas possibilidades
aos criativos. Só nestes últimos dois anos é que a imprensa
e a televisão começaram a apoiar e a dizer que existem "designers"
que fazem coisas diferentes. Que dão uma imagem nova. Em Portugal, é
difícil começar a trabalhar. Não existem apoios estatais,
temos que começar a desenvolver aos poucos.
Faz várias coisas ao mesmo
tempo... Sim, normalmente o "designer"
só faz uma coisa. Eu gosto de experimentar, fazer de tudo um pouco. Desenhar
para empresas, fazer bijuteria, desenhar sapatos, fazer moldes. Gosto de experimentar
outras áreas que tenham a ver com o "design".
Quando
acabei o curso, achei importante saber mais de moldes, porque acho que não
é só mandar fazer, é importante também saber fazer.
Acho que tive mais aceitação nas empresas
com que trabalhei, porque as empregadas sabiam do que é que eu estava
a falar. É importante saber de tudo um pouco. Ao menos saber as bases,
senão, as pessoas não nos levam a sério e não
podemos explicar o que queremos. Conheço pessoas que só sabem
desenhar e, depois, têm dificuldade em dizer o que querem concretamente
e é muito mais fácil mostrar logo o que se quer. Acho que isto
se aplica a todos. Quais
são os seus projectos futuros?
Tenciono expandir o negócio
das bijuterias. Continuar de uma maneira mais séria. Também
tenciono ter uma marca minha de roupa e, talvez, mais para a frente, ter uma
loja.
Entrevista:
Maria Ana Bustorff
Fotografia: João Cabral
Stefanie
Flörke
tem trabalhado
como
"free-lancer"
na área
de "design"
de moda,
modelagem
e acessórios,
sapatos e
bijuteria para
diversas
empresas,
desde 1994.
publicações
em revistas